sábado, 8 de setembro de 2012

Yelda da minha janela

Quando fiquei mais velho, li nos meus livros de poesia que a yelda era a noite sem estrelas em que aqueles que sofrem por amor permanecem acordados, suportando a escuridão interminável e esperando que o nascer do sol traga consigo a pessoa amada. Depois que conheci Soraya Taheri, todas as noites da semana passaram a ser (noites de) Yelda para mim. O Caçador de Pipas


Da minha janela, o céu a noite é um tapete preto bem simples. Sem os brilhantes azuis que ornam outros tapetes pretos pelo mundo. Um tapete preto sem graça e sem fim, de um infinito intrigante. 
Algumas noites eu permaneço acordada, assustada pelo tapete preto, esperando ele ir embora. Eu espero por tanto tempo, mas ele continua ali, imóvel, sem intenção de ir a lugar nenhum. 
O ponto é... Eu quero a luz de volta sabe? A luz do dia, da vida. Eu não quero aquele tapete sem graça, sem luz, sem vida. 
Eu quero o Sol, a Lua e as Estrelas, eu quero tudo junto na minha janela. 
Depois de várias noites sem dormir esperando o tapete preto ir embora eu comecei a pensar que talvez ele nunca fosse sair dali, talvez a vida fosse continuar assim daqui pra frente. Talvez a vida tivesse virado um tapete preto sem fim, e eu, sem aceitar, jamais deixasse a minha janela.

499 dias com ele



Eu desaprendi a me expressar utilizando palavras, mas acredito ainda ser muito boa em me expressar utilizando de animais. Os animais são criaturas perfeitas, as obra-primas de Deus e você bem deve saber disso. Alguns deles pesam toneladas, medem dezenas de metros de altura e leva-se muito tempo para se gestar um animal desse porte. Vários levam 365 dias de gestação, alguns 440, outros poucos mais de 500... Muitos animais não tão grandes, mas nem por isso menos perfeitos se formam mais rapidamente, em 200, 100, 60 e até mesmo 30 dias. Em 30 dias um coelho perfeito nasce do útero da mãe e em 499 dias essa mãe poderia ter dado a luz a 16 ninhadas perfeitas de coelhos. Em 499 dias uma baleia poderia ter nascido. Uma orca, um camelo, uma girafa, 3 ursos pandas gigantes... 5 leões e 5 tigres. 1 zebra, 1 cavalo, 1 búfalo, 2 cangurus, 1 lhama, 1 leão-marinho, 1 golfinho, 1 gorila, 5 ovelhas, 2 ursos polares, 2 veados, 1 anta, 8 cachorrinhos e 8 gatinhos. Um macaco.
499 dias só não seria o suficiente para nascer 1 rinoceronte e 1 elefante, de todos os mamíferos existentes, só 2 espécies não teriam visto a luz do dia nesse tempo.
Eu ia escrever tudo isso pra dizer que 499 dias é tempo demais, depois mudei de ideia e vi que é absolutamente pouco e então mudei de ideia uma terceira vez. Tanto faz se é muito ou pouco, o que importa é que 499 dias é um tempo que não dá pra simplesmente ignorar ou apagar da sua memória.

(Infelizmente)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Eu ando de cabeça baixa que é pra não ver seu rosto em todos os rostos que por mim passarem, que é pra eu não deixar meu coraçãozinho aflito. 
Eu ando de cabeça baixa que é pro mundo não ver minhas lágrimas, pois eles não as entenderão.
Eu ando de cabeça baixa que é pra não correr o risco de cruzar meus olhos despreparados com outros olhares, que é pra não deixar os outros conhecerem minhas fraquezas.
Perceba, meu amor, que eu ando de cabeça baixa que é porque não me faltam os motivos. 
Eu ando de cabeça baixa porque o mundo é cruel e eu prefiro fechar meus olhos. 
Eu ando de cabeça baixa que é pra ninguém me notar, que eu prefiro ser invisível, pra pensarem que não podem se aproximar.

Eu ando de cabeça baixa que é porque eu sinto vergonha de quem eu sou, do que eu fiz, e de quem não está mais ao meu lado.

Quase um segundo (só que não mais)

Lembra como algumas vezes eu te dizia que te odiava por quase um segundo e depois te amava mais?

Bom, agora eu só te odeio. (O tempo todo)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Q,

Eu não sei dizer exatamente de onde começa a sensação. Algumas vezes dá a impressão que começou com um arrepio gelado que nasceu na minha espinha. Outras que começou mesmo na ponta do estômago amargo. Seja lá de onde surja, tudo acontece muito rápido e simultaneamente à petrificação do meu coração. 
É tudo bem gelado. Gelado, duro, cortante... Dilacerante. Nesses momentos eu sinto um anseio louco de expelir meu coração pra fora de mim, a fim de duas coisas. A primeira delas é o sentimento de auto-preservação - aquele que a gente sente quando tem medo de morrer. No meu caso é morrer de hipotermia. Medo do gelo do meu coração espalhar muito rapidamente pro restante vivo de mim e da minha espinha padecer, dos meus órgãos falharem. Numa tentativa de voltar a sentir qualquer centelha de calor tento expurgar meu coração, mas as tentativas se mostraram vãs. Outro motivo muito forte que me faz querer rasgar meu próprio peito é o desejo de te presentear com meu coração petrificado. Te encontrar e dizer: toma! Tá vendo essa alma congelada? Vê esse coração que cessou de bater, essas veias que secaram? Esse corpo que nenhuma gota de sangue corre? Toma tudo e guarda, fica, esconde, leva pra longe de mim. 
Esconde de mim esse gelo porque agora eu só quero sentir calor.



(Eu queria dizer que não. Não, eu não quero que um belo dia quando você estiver caminhando apareça uma pedra no seu caminho e você tropece, caia e bata a cabeça. Não, eu não quero que ao bater a cabeça você sinta uma dor tão forte, mas tão forte, que te torne incapaz de viver um único dia sem se lembrar da dor. Isso só serve pra ilustrar o que eu sinto e não consigo esquecer. Não, eu não consigo esquecer e sua presença não consegue parar de me fazer lembrar. Na realidade, eu só queria que você sumisse, desaparecesse e levasse consigo essa dor. Só queria me libertar desse frio na espinha e voltar a sentir calor. Me livrar do nó de lágrimas na garganta, da explosão que transborda pelos olhos. Tudo aquilo que me fez enxergar que eu sou muito humana, ao contrário de você que é feito de metal.)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Ƭarik,

Depois que o vento se aliou às flores já não sei mais como fugir do seu cheiro de alecrim projetado dos meus sonhos em forma de luz. Luzes que saíram das mãos de um anjo, cujo nome disse ser Miguel, para enfeitiçar-me o sono e esquecer-me do dia, das horas, da vida. Esquecer-me que a vida não é uma nuvem de sonhos, que os sonhos não estão limitados a um período restrito de tempo diário.
Não, para Miguel não. O proibido agora é acordar.
O presente se tornou apenas uma emanação fluídica semi leitosa do meu futuro, que é o presente que agora vivo. (Pois um sonho é sempre futuro) E o passado é só a marca do lápis que permanece na folha depois que a borracha cumpre seu papel. Uma marca que só mostra que algo já existiu ali, mas que é impossível de ser resgatada. O futuro que devaneio agora são nuvens com gosto de algodão doce, olhos de ciclone, de furacão, de tsunami.
E é assim que me sinto, diminuída a um fragmento de pétala perto da fúria desses Deuses. Passível de ser quebrada, apagada de onde vivo em um instante imperceptível. Não, Miguel, não quero me quebrar.
Me ponho com medo de dormir e com medo de acordar. Nenhum dos dois trará minha estrela da manhã. Ao acordar posso descobrir que talvez ele só virá com meus olhos fechados.

Percebo que é melhor continuar sonhando, ou vivendo com os olhos bem fechados:
 Eu só não quero ficar sem Ƭarik.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O trânsito e Seu João

Hoje o dia parecia diferente para Seu João. O céu estava cinza, assim como seus olhos, seus cabelos, sua pele e sua vida. Em dias cinzas as horas passam em camera lenta, é o que deve ter pensado João.
Seu João já estava trabalhando às seis horas da manhã quando pensou em sua filha. Quais seriam a cor de seus olhos? Ele não poderia dizer. Mal tinha memórias pra recordar enquanto dirigia.
Acredite se quiser, mas um dia Seu João também já foi feliz. Um dia ele já teve sonhos!
Dizia ele, "quando eu crescer quero ser jogador de futebol". E não é que Seu João tinha talento? 
Claro que ter talento fica em segundo plano quando se tem uma família pra sustentar: Seu João era o próprio estereótipo do trabalhador humilde brasileiro até no nome.
Só que não hoje.
Hoje Seu João já tinha se esgotado da vida, já tinha esvaído de seu corpo.
Nesse momento Seu João não suportava mais dirigir para pessoas que não se incomodavam em dizer "bom dia" ou "obrigado". Essas mesmas pessoas que não demoravam um instante para perguntar "passa lá na rua 12?", "me avisa quando tiver na 14?". E claro que Seu João sempre avisava.
Até hoje.
O ponto é: não eram essas pessoas que controlavam a vida de Seu João. Na realidade, Seu João estava  bem confiante de que o fundamental aqui era ele. Afinal, ele tinha a vida de todas essas pessoas nas mãos, em suas mãos. E ninguém parecia se dar conta disso.
Alguém buzinou para Seu João às seis e meia da manhã o alertando que o trânsito havia voltado a andar depois de trinta minutos de espera. Ele já tinha esperado demais. Seu João deu seta e virou à esquerda. Aquela rua não fazia parte de sua rota, mas ele não queria mais seguir rotas por hoje. 
No final da manhã, uma notícia provou a todos que Seu João estava certo. 
"Caminhão que carregava líquido inflamável colide nessa manhã com ônibus que tinha se desviado de sua rota. Todos os envolvidos foram mortos em uma grande explosão. Os motorista dos dois veículos foram identificados como 'Seu João'".

domingo, 12 de fevereiro de 2012

MÄN SOM HATAR KVINNOR

Fico imaginando o que poderá ter acontecido em seu passado que te transformou no que é agora... Começo a me perguntar se eu estaria ao seu lado se conhecesse sua história palavra por palavra.
Enxergo que nada mudaria então, pois eu já te vejo como você é, e já te via desde a primeira vez que nos vimos, antes mesmo de nos falarmos.

(I do know your history word-for-word, somehow.)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Hideki,

Já perdi a noção do tempo desde que comecei a tentar traduzir os raios que emanam do seu sol para esse pedaço de papel.

Insisto na ideia de desenhar os dois universos que moram no seu rosto. (se me utilizasse de uma máquina, esta não seria capaz de compreender a grandeza daquilo que se encontra a sua frente). Nos meus devaneios não vejo apenas suas constelações, mas sinto o cheiro das flores de jasmin e escuto os carcarás gritando. Queria conseguir uma grande planeta e chamá-lo de Meu, Grande Planeta Meu. Dentro dele morariam os beija-flores, bem-te-vi, carcarás e um buquê de flores. (as flores só serviriam para enfeitar nosso céu, pois você seria a fragância no Meu Mundo). Escolho agora a melodia que quero que a chuva toque ao se derramar no solo e me lembro do dia em que te vi sorrir - uma estrela saiu do seu sorriso e se apresentou pra mim - disse que se chamava Música.

Minha tentativa é vã, seguro em minhas mãos nada além de uma mancha amarela que só na música de Toquinho pode virar Sol.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ontem eu descobri que a causa dos meus problemas foi parar de rezar, hoje me chamaram pra rezar e eu fui dormir.

acho que eu escolho problemas, afinal, o que me restaria sem eles?
eu sinto falta da caneta no papel, mas a mente vai atrás daquilo que primeiro se encontra ao alcance das mãos.

o que não me impede de continuar sentindo falta.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Please, don't mind!

Once again I warn you to pay attention and not to make wrong ideas of my words. Now I realize you are reading all of them completely wrong. You are reading the past chapters, the old lines and the dirt pages. Those words weren't made for you to see. Can you, at least, try to read those who were made for you? I hope you could understand the real thing I'm talking about here. It isn't about the nonsense words amount together. It isn't about what I write right now. I'm talking about a text I'm writing for five months already and until now I'm not satisfied with results. I'm not having quite success trying to express my way exactly how I feel it. For the word "text" my teacher told me yesterday that all society had no idea what it really mean. So, for no more misunderstood let me be very clear in your mind. Text, as known as, relation or interaction between a person and a sensation. Examples she used was: an image, picture, song, poetry, paint, movies, theatre, a kiss, some sex, kind of porn, orgasm, masturbation, orgies and related.
Now mix all of them together: What result do you have?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

I really hope you don't mind this time

This particular time I allowed myself paraphrasing a smart friend of mine, even though I'm aware I'm not very good speaking myself through others mind. Actually, I'm not good throwing myself through anywhere but garbage.
Please, listen to me carefully 'cause I'm not saying this twice and History says you don't have pretty much an ear.
At this point, you probably had time to notice that I dont have much money, or voice, or class. I dont belong to a beloved family and I dont take a lot of friends to get along with. Now, you can obviously conclude I dont have plenty of your qualities to offer. That been told, you must know this isn't also the best I can do, 'cause my best I'm still trying to figure it out. A bunch of nonsense words amount together: this is my gift to you. Go, go tell everybody - only because you can.
It may be quite crappy but now that it's done I hope you don't mind (really) that I put down in words:

how wonderfull life is while you are my complete world.

sábado, 10 de setembro de 2011


I have something to tell you: when you put your hands over myself, I feel like one hundred millions of fireworks exploding in each part of my body. After the explosions pass, my all body goes deeply in fever.
And I like it so much.

Desabafos Sinceros da Minh'Alma


Tudo bem, então você me ensinou a ver e eu achei que a coisa mais legal do mundo havia acontecido. Bullshit. Não demorou muito pra eu perceber que havia coisas que estavam ai para não serem vistas, mas tudo bem, a gente aprende a lidar com isso.
O problema todo é que depois que eu aprendi a ver, eu vi que eu não vejo nada. Nunca vi. E era engano meu, amor, eu ainda não sei ver. O que mudou foi que vi um mundo que eu não estava acostumada a ver, e me deu a falsa ilusão de que aquilo era ver de verdade. Doce ilusão, bom seria se fosse. Quantos mundos ainda me restam para ver e eu me dou conta que talvez nunca consiga.
Mas agora eu quero. Eu quero enxergar porque eu sei que essa não é a realidade. Ou talvez seja simplesmente uma realidade que não me satisfaz mais. Porque, o que é enxergar, afinal? O que é ver? O que é a realidade? Me disseram que pensar era a única coisa que nos dava a certeza que existíamos. Eu discordo. Pensar é o que nos dar a ilusão de um “eu”, de uma falsa existência de individualidade. O conceito de espírito foi por água abaixo, agora nós somos apenas um aglomerado passageiro de energia. No meu caso, nem isso: um princípio inteligente visto nos seres mais primitivos. Movido por lei de atração, sensibilidade e instinto apenas.
E a consciência em si? Ah, amor, essa ai nunca existiu. Consciência em mim? Eu sou o caos. Não se tem ideia do caos quando se está nele. Não, eu não sei o que o meu corpo abriga. Talvez eu nunca descubra.
Mas uma coisa eu ainda sou capaz de saber: eu sei o que move meu corpo. Eu sei as vontades que movem seja lá o que for que existe aqui dentro de mim. Ou que não existe. Vontades aquelas que aprendemos que devemos nos libertar por completo. Liberdade. Sim, eu quero ser livre, mas a minha vontade de ser livre é tão avassaladora, que me acorrenta, porque jamais se é livre quando se tem desejos. Estou presa pelos meus impulsos decorrentes dessa vontade de ser livre. Entende como é complicado tudo isso? Dá pra ter ideia do caos que tá aqui dentro? Eu ando tão Down. Isso que me cerca já não me basta, eu quero transcender, eu quero transgredir, eu quero o mais, eu quero me perder pra me achar, me cegar pra poder ver. Mas ao mesmo tempo: e o medo que tudo isso dá? E tudo que fica pra trás? E o ir e não voltar?
Antes eu tinha uma base sólida, em cima da qual eu construi todos os meus ideais, meus princípios, meus valores, minhas virtudes. E de repente toda essa base sólida foi destruida fazendo tudo o que estava em cima se perder. Farsa. E todas as pessoas que se apaixonaram por mim por quem eu era? Pelo que eu fazia, pelo que eu pensava? Eu não sou mais nada disso. Eu não sou nada. Eu não sou. E no momento que eu deixo de ser, o resto deixa de estar também
Nada mais é, e a única coisa que nos resta é o caos.
Foda-se, que diferença isso faz pra você?

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Deixe-me ir/ Preciso andar/ Vou por aí a procurar

Quanto tempo que eu não te vejo por aqui! Achei que tivesse até se mudado... Como você passou esse tempo? Foi apenas uma coincidência você ter sumido assim?
Err... Me sinto muito boba falando isso, mas a verdade é que eu estava fugindo de você, evitando te encontrar novamente.
Não vou dizer que não tinha percebido... Posso pelo menos saber o por quê?
É que é muito difícil pra mim, entende? Sempre que eu te vejo, eu descubro cada partezinha de mim que estava escondida às sombras. Aquelas coisas obscuras dentro de nós que quase nunca temos coragem de encarar. E foi isso que aconteceu, dessa vez o medo foi maior do que a curiosidade para conhecer a verdade. Tive medo de não conseguir lidar com o que eu pudesse encontrar. Porque eu sabia que iria encontrar muita coisa dessa vez, eu tinha ideia da quantidade de coisas varridas pra debaixo do tapete. Até perdi a conta dos dias que se passaram em que eu estava a caminho daqui, mas acabei mudando o rumo. Sempre esse medo amigo me consumindo toda...
E o que mudou agora para você estar de volta?
Foi que de repente as coisas pararam de caber debaixo do tapete. Ele se tornou pequeno demais pra quantidade de coisas que eu queria esconder do mundo, e quando isso acontece, o que vai saindo debaixo surge de uma forma muito desorganizada, da qual você perde o total controle. Voltei aqui pra você me ajudar a controlar a situação. Colocar cada coisa que não coube mais em seu devido local.
Qual seria esse devido local de cada coisa?
Justamente isso que você irá me dizer..........certo? Eu sei que pisei na bola ao te evitar, mas não me abandona agora... Porque eu não conseguirei sem você.
Tem certeza? É que sinto que você ainda está escondendo alguma coisa de mim, e acho que te conheço o bastante pra acertar sobre isso.
Não estou escondendo! Simplesmente é que dessa vez eu sei exatamente o que eu vou encontrar quando a gente levantar esse tapete. Eu só não vou saber o que fazer com tudo isso, como lidar, a quem recorrer. Porque eu não vou mais poder fugir, eu vou ter que encarar de frente. E você sabe que eu nunca fui boa encarando nada de frente, mas eu sempre fui boa fugindo...
Tudo bem então, preparada? Agora não vai ter mais volta!
Claro que eu estou preparada! Passei 3 meses me preparando, criando coragem pra esse dia... Dessa vez meu medo não vai mais sair vitorioso, mas.........Espera só um pouquinho.
O que houve?
É que já são 1 hora da madrugada e amanhã eu vou ter que levantar muito cedo para cuidar da minha vovó que teve um AVC e está hospitalizada. Se eu fizer isso agora, não vou ter tempo para dormir, pois estarei limpando a quantidade de sujeira que se abriga em mim. Quando chegar amanhã, estarei cansada para cuidar dela.
O que você pretende fazer então?
Vamos combinar o seguinte: deixemos para outro dia, pode ser assim para você?


"Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar..."

sábado, 9 de abril de 2011

I Know What This Song Is About - Part 2

Actually, there is a risk about start hearing everything. You see, there are some voices that you don't want to hear. Those inside our heads, you know?
After you teach me how to listen, I keep doing that all the time, and know I have to deal with me. With my own thoughts.
It was so much easier when I could just not to listen myself, I was able to lie to me. And now I can't. I can't pretend that I'm not feeling what I'm feeling, or that I'm not wishing what I'm wishing.
Please, keep that secret to you: I'm completely scared. I'm afraid of this part of me that I'm knowing right now and that I had no idea that was there all this time.
You were right: It is easy like breath, easy like blink, the opposite of be... I can't stopp listening once I learned how to do it.
 Now you just have to teach how to deal with it. How to deal with what I'm feeling right now.

Will you?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

I Know What This Song Is About

Did you feel that? It just appear from nowhere. And now I know, I know what nobody need to tell me, because words aren't necessary! Aren't you hearing that? We are together here, listening to the same song, breathing the same air, can't you realize what I just did? 
It's like a lonely man... He feels lonely because he lived all his life apart from the world, by choice. But it isn't because he is a bad man, can't you tell his is good? I think he's dying... He has a beautiful daughter and he never spoke to her... I don't know exactly why, it's difficult to understand what this is trying to say, help me!
You can't, can you?
Breath, Chanice, just breath! It's easy like that, easy like be. NO! Not easy like be. Be isn't easy, is exactly the opposite... I mean, is natural, you know? Simply like blinking! Yes, that is the right word. Now, can you blink for me? Came on!
Music is his life, his air, his world. Is just the way he express himself. People used to think he doesn't have a heart, a soul, a feeling. Only because he is different, do you believe?? People are so damn... I would probably say he is the biggest heart I know... 
Imagine how would be if people could see what I'm seeing right now!!
Will you be like those people, Chanice? Wouldn't you be able to see? 



And than she saw it.
(Wasn't that easy for her. To hear. She was more used to speak than to hear. I mean, hear isn't always more difficult? I believe yes. But she tried hard that time. She tried with things that she wasn't used to try. Like, not to use the ear, but to use the soul. It's always easier when you put your soul on things you do. For the first time she was able to feel her soul completely. Normally, it used to be missing something, and another person was used to complete the empty space. But not that time. That time everything was there, nothing missing, nothing else completing. All hers, all soul, all listening. Together.)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Jade e seu bilhetinho azul

Meu sorriso fez as malas e foi viajar. "Vou sair de férias pra tentar me encontrar".
Assim implícito: "Contigo estou perdido."
Meu sorriso comprou as passagens e foi viajar. "Você não irá me achar."
Assim escondido! Ele acha que eu não se onde ele está.
Meu sorriso entrou no avião e foi viajar. "Não tenho data pra voltar".
Assim envolvido! E ele ainda acha que eu vou ficar.

Minhas malas estão prontas, Jade. Estou indo pra Itália te encontrar.
Não vou ficar aonde meu sorriso não está.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Os Medos

As vezes eu tenho medos.
As vezes eu tenho o medo-do-grito, que me faz berrar, bem alto e lá do fundo, até sentir a garganta doer. Mas outras vezes eu tenho outro tipo de medo, o medo-do-silêncio. O medo que procura o quieto, o ficar no escuro, abraçando as perninhas, tentando ocupar o menor espaço possível, as vezes girando de um lado pro outro, as vezes parado, apenas vendo todo o resto girar. 
Algumas vezes eu tenho o medo-do-acordado, que é o medo de ir dormir, dos pesadelos que podem aparecer nos meus sonhos, recriando sem parar minhas piores lembranças, meus maiores temores... Outras vezes eu tenho o medo-do-sono. Medo de encarar a realidade depois de ter vivido a noite inteira a suprema felicidade. E então vivo um medo que me desliga do mundo, me faz viver outra realidade. Porque existe o medo do real e o medo do imaginário e um procura sua cura no outro. Tem o medo-do-choro e tem o medo-do-seco, quando as lágrimas se perdem em algum lugar dentro de você e ficam presas la dentro.
As vezes eu também tenho o medo-do-abraço, que me faz abraçar meus amigos tão forte e tão prolongadamente que eles até sufocam. É o medo do abraçá-los e ficar assim, sem soltar. Dormir e acordar abraçadinho neles. É meu medo de ficar só, o medo da necessidade daqueles que me amam. Esse tipo de medo é bem melhor do que o medo-do-isolamento. O medo que faz a gente jogar tudo pro alto, afastar tudo pra longe, até as pessoas que amamos. Faz a gente derramar nosso medo sobre os outros pra ver se nos livramos dele, mas não conseguimos. Fazemos as pessoas se livrarem da gente. Esse medo é bem perigoso, faço as pessoas irem pra bem longe de mim, assim penso que não posso fazer nada de errado com eles, nada que vá fazê-los ir embora deliberadamente. Pena que eu não enxergo que esse medo já os fazem ir embora dessa forma.
Tem o medo-do-mentir e o medo-da-sinceridade, que faz a gente fala até a parte desnecessária da verdade.
Medo é coisa de louco, medo mexe comigo. Medo controla tudo o que sou, se ele quiser